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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Bumba meu boi do Maranhão: Patrimônio Cultural do Brasil.

O bumba meu boi do Maranhão é o mais novo Patrimônio Cultural do Brasil. O registro foi aprovado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural nesta terça-feira (30), durante reunião na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília. A reunião foi acompanhada pela governadora Roseana Sarney, no Salão de Atos do Palácio dos Leões, em São Luís, por meio de teleconferência, que contou com a participação de cantadores de boi, pesquisadores da cultura, produtores culturais, secretários de Estado e integrantes dessa festa tradicional maranhense que reúne várias manifestações culturais tendo o boi como centro do universo místico-religioso.

Mais Informações: 

Bumba meu boi é Patrimônio Imaterial do Brasil

terça-feira, 5 de julho de 2011

Iphan pede registro do Bumba-meu-boi do Maranhão como patrimônio cultural

O Departamento de Patrimônio Imaterial – DPI, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, abriu prazo para a manifestação da sociedade sobre o pedido de inscrição do Complexo Cultural do Bumba-meu-boi do Maranhão no Livro de Registro das Celebrações. O comunicado está publicado no Diário Oficial da União – DOU, de 24 de junho de 2011, com prazo de 30 dias para a manifestação que deve ser enviada por correspondência para o novo endereço da presidência do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural – Presidente – SEPS, 713/913 bloco D, Edifício Lucio Costa , 5º andar – Brasília – Distrito Federal – CEP: 70390-135.

A proposta de registro do Complexo Cultural do Bumba-meu-boi do Maranhão como Patrimônio Cultural do Brasil foi apresentada em 2008 pela Comissão Interinstitucional de Trabalho. O grupo é composto pela Superintendência do Iphan no Maranhão, Secretaria de Estado de Cultura, Fundação Municipal de Cultural, Comissão Maranhense de Folclore, Grupo de Pesquisa Religião e Cultura Popular da UFMA, representantes dos Grupos de Bumba-meu-boi dos Sotaques da Baixada, Matraca, Zabumba, Costa-de-mão, Orquestra e de Bois Alternativos e representantes e membros de grupos de Bumba-meu-boi e da comunidade.

Foto: (A. Baêta) Arquivo do Jornal O Estado do Maranhão. 

domingo, 26 de junho de 2011

Lançamento do Livro e Documentário "O Boi Contou"

A pesquisadora cultural Ana Stela Cunha, do Instituto de Ciências Sociais a Universidade de Lisboa lança em São Luís livros e documentários resultados de estudo de pesquisa do bumba-meu-boi sotaque de zabumba, mais especificamente sobre o Boi de Guimarães. A programação acontecerá nos dias 28 de junho a 03 de julho.


Como registro dos trabalhos, o projeto conta com a produção e distribuição de materiais (livro e documentário) para estudiosos e o público em geral, possibilitando o acesso às mais variadas expressões da cultura afro-brasileira e da arte produzidas no Maranhão.Com o tema O Boi Contou, o projeto da pesquisadora foi selecionado e patrocinado pelo programa Petrobras Cultural, na área de Educação para as artes, visando a formação de educadores através de oficinas e reflexões sobre a cultura brasileira e em especial a cultura local de Guimarães, na baixada maranhense. 

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Povo dá adeus a Silvestre Botão, o "órgão" cultural dos bois de São Luís e Ribamar



O ex-vereador e marchante de São José de Ribamar, Silvestre Batista Botão, pai de 63 filhos, entrou, ontem, para a cultura da tradição oral do Maranhão: falecido na manhã de sábado passado, aos 70 anos, no Hospital do Ipem, vítima de um diabetes que lhe ocasionou a falência múltipla dos órgãos, mereceu dos seus conterrâneos, em sua residência, um dos mais concorridos velórios dos últimos tempos, e de participantes, em seu sepultamento, no cemitério municipal.


Assim que a família noticiou o seu passamento, começaram as centenas de visitas à sua casa, na Rua da Liberdade, 597, desde a manhã de anteontem, numa "sentinela" prestigiada por seus ex-colegas de parlamento, como o vereador ex-vice prefeito Antônio Augusto, ex-vereador Mazinho, e o ex-vereador e secretário municipal da Cultura, João Damásio Pinheiro, o Garrafinha, vereador Artuzinho, e a lembrança de passagens interessantes que fizeram de Silvestre Botão, quanto ele ficou mais conhecido, na política e na cultura popular, uma figura pública elogiada, por suas ações de solidariedade, e criticada, por rompantes intransigentes. Os prós pesaram mais que os contra, na conta de uma pessoa mão-aberta em auxílio aos mais necessitados que lhes chegasse aos ouvidos e ele pudesse ajudar, inclusive, financeiramente, e a inclinação para fortalecer a cultura popular, principalmente, a dos bumba-bois de matraca, havendo ele nascido no povoado Cururuca, em Paço do Lumiar, berço de um dos "batalhões pesados": o de Iguaíba.


Como seria esperado, entre uma multidão que levou o caixão de Silvestre Botão ao cemitério, na Av. Gonçalves Dias (Rua Grande), estavam dirigentes e brincantes de bois de matraca, como os cantadores João Chiador (do Outeiro-Ribamar) e Ivan Miranda (Boi do Cu-Pelado). Na frente do cortejo fúnebre, vizinhos, parentes e amigos de longas datas proporcionaram uma das mais emocionantes homenagens prestadas a um dos mais importantes colaboradores da comunidade e dos grupos folclóricos juninos maranhenses, nos últimos 30 anos. "Foi um dos maiores ajudantes dos nossos bois, e mais depois que foi vereador do município"!- lembrou João Chiador, 73 anos, tirado por Silvestre do Boi da Maioba para o de Ribamar, em 1991, numa transação que rendeu durante anos muitos comentários e rusgas com a rapaziada maiobeira, que ascendeu Chagas seu principal cantador e com sucesso imediato.


Canetada na Câmara - Após o enterro do corpo do reverenciado, bastante aplaudido por pessoas de todos os segmentos sociais, não faltaram na Praça Nicolau Sodré, a popular Praça da Tesoura, reminiscências sobre a personalidade marcante de Silvestre Botão. Dentre elas, o episódio de quando foi vereador e viu que não havia caneta na casa, e por isso não titubeou na compra imediata de caixa do material para a devida distribuição aos seus colegas e aos funcionários. "Ele era assim mesmo, irredutível, certas horas, e bom de coração, tanto que adiamos de hoje à tarde para o próximo domingo o jogo de futebol que programamos entre os times amadores Gonçalves Dias e Guarany"! - revelou Jose Ribamar Dias Filho, o popular Mijão, cartola do Gonçalves Dias, que paga as cerveja s para si e os atletas, após o compromisso, com seu time perdendo, ou ganhando, o jogo.
Carregador do Lava-Bois - Quando em 1989, sentindo que fraquejava o Lava-Bois, encontro dos batalhões de matraca, no primeiro domingo de julho, em Ribamar, Silvestre Botão nem pestanejou: criou um arraial defronte da sua casa e contratou todos os cordões, pagando a chamada do seu próprio bolso depois de cada apresentação. Brincavam ali os Bois da Madre de Deus, Ribamar, Maracanã, Matinha, Iguaíba, Juçatuba, Pindoba, Maioba, Sítio do Apicum, etc.


Foi assim durante alguns anos consecutivos, já que a Municipalidade não incentivava "o capim" dos bois, às voltas com muitas despesas para a locomoção, e Silvestre, quando menos, estimulava o evento, pagando as exibições. Quando os bumba saíam do seu arraial, no amanhecer de domingo, e iam medir forças no Lava-Bois, na Rua Grande, ele andava atrás deles, na manhã toda, distribuindo bebidas para os brincantes. Falo de cadeira, pois a meu pedido, inclusive, Silvestre bancou a Morte do Boi da Madre Deus, em termos de carne de boi e mocotó, num tempo difícil, no começo da década de 1990, em que o secular touro não tinha apoio cultural e político.


Filhos aos Botões - Entre os 63 filhos reconhecidos por Silvestre Botão, estão: José Acrísio, Ana Cláudia, Érica, Luís Augusto (Luisinho), Luciana, Raimunda Rosa, Taiane, Maria Livramento, Silvestre Filho I, Silvano, Renata, Marcelo Renato, Silverli, Silvestre Júnior, Samires Carolina, Rubens, Denise, Daniele, Diego, Silvestre Filho II, Joelma, Gabriela, etc. Os mais velhos são com D. Lucimar Reis Botão: Maria Raimunda Reis Botão (Cajuíta), de 50 anos, Luís Augusto (Luisinho (, 48, José Acrísio, 47, Raimunda Batista (Miruca), 45, Maria Livramento, 43, e Silvestre Filho, 40 .


Valemos o que temos!" --Silvestre Botão foi vereador de São José de Ribamar, em duas legislaturas consecutivas: de 1989 a 1996. A perda da eleição para o terceiro mandato, coincidia com a sua decadência nos negócios, porém sempre prestigiando as brincadeiras de bumba-boi, que não corresponderam mais à altura. Uma semana antes do seu falecimento, , ele desabafou a falta de prestígio e reconhecimento à sua comadre de alma vizinha Maria José Protázio Alves (batizou um filho desta com sua segunda mulher, a professora Maria do Socorro Ferreira): "Comadre Maria, nós valemos o que temos"!


Essa sentença de Silvestre Botão foi facilmente percebida por mim, quando muitos cantadores e dirigentes do folclore boieiro não foram ao seu adeus, como os populares que sequer foram beneficiados, de alguma forma, por ele. Eu saio dessa lista, pois sempre, em seu tempos das vacas magras, levei o agradecido Boi da Madre de Deus para vadiar de graça na porta da casa dele, já mais humilde. Como lembrou o cantador Ivan Miranda, antes de seu sepultamento: "Ele fez muito tempo por esta terra, para não ser esquecido tão cedo como homem público"! Ou como seu filho, Silvano, de 35 anos: "Ele fez boas coisas para o povo, e está aqui agora, e por muito tempo, para ser ou não reconhecido!"

Herbert de Jesus Santos
(Especial para o Jornal Pequeno)