Ele foi já foi menino prodígio na TV, já foi cômico ("O Auto da Compadecida", "Lisbela e o Prisioneiro") e já foi trágico ("Lavoura Arcaica").Mas agora, aos 37 anos, Selton Mello parece, cada vez mais, querer ser apenas Selton.
O ator, um dos convidados da distribuidora Imagem Filmes para o evento de lançamentos da empresa, no Costão do Santinho, neste final de semana, estava no resort representando um duplo papel: de ator e diretor.
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Como ator, posou para fotos ao lado de Grazi Massafera, seu par romântico na comédia em "Billi Pig", que será filmada em janeiro.
Durante a entrevista coletiva do filme que será dirigido por José Eduardo Belmonte "(Se Nada mais Der Certo"), admitiu: "Quando você é mais novo, tem tanta necessidade de se expressar, que quer fazer tudo. Mas aí você fica mais velho e vai se contendo".
E foi justamente esse Selton Mello mais contido, nas expressões e nos gestos, que surgiu durante a projeção do "promo" de "O Palhaço", seu segundo longa-metragem como diretor.
"Promo" é o material que, antes do filme finalizado, os produtores preparam para apresentar ao mercado.
Nas cenas exibidas em Florianópolis, Selton aparece vestido de personagem, mas na função de diretor. Está com roupa de palhaço, mas diz "corta". "Resolvi mostrar a insanidade que é dirigir e atuar ao mesmo tempo", disse ele. "Explicar para um ator tudo o que eu queria, ia dar muito trabalho, então resolvi fazer eu mesmo o papel. Foi mais rápido assim", brincou.
O filme, apresentado por meio de imagens intrigantes, segue, pela estrada, o palhaço Benjamin, um artista que a queda dos picadeiros deixou em crise.
"O Palhaço" tem produção da Bananeira Filmes, de Vânia Catani, responsável por tirar do papel o primeiro longa-metragem de Mello como diretor, "Feliz Natal".Levam também o logo da Bananeira "A Festa da Menina Morta", o filme de Matheus Nachtergaele, ator parceiro de Mello em "O Auto da Compadecida", e "Billi Pig".
ANA PAULA SOUSA
Folha de São Paulo
